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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Sobre Felicidade, Sanfonas...e MÚSICA: MARCELO JENECI

*Entrevista Publicada no NOVO JORNAL [RN] - 07/10/11

Foto: Divulgação
 O som é tranquilo, sincero e competente. É assim que Marcelo Jeneci vem conquistando o Brasil há cerca de um ano, desde o lançamento de seu álbum de estreia “Feito Para Acabar”. Cantando a felicidade, a ausência, os “drinks” de café com leite de rosa e outras particularidades a mais da vida, ele desembarca em Natal, amanhã, para uma apresentação que promete marcar a 12ª edição do Festival MADA (Música Alimento da Alma), que será realizado hoje e amanhã no Imirá Plaza.  


“A minha vontade era tão grande de tocar aí (Natal), por causa de todo o carinho que a gente recebe diariamente na internet, que a minha produtora (Pessoa Produtora) juntou esforços com a organização do MADA para também arcar com alguns custos e levar o show completo com todo mundo no palco. E não é tão fácil conseguir circular com toda a banda por capitais como Natal”, disse o cantor, por telefone, logo após passar a manhã da quinta-feira ensaiando para a apresentação. 

Quem for conferir a apresentação pode esperar um show completo, não apenas em estrutura, mas em repertório também. Jeneci garante que não vai deixar de fora nenhuma das 13 aclamadas faixas de seu CD. “Tem tanta gente que vai por uma ou outra determinada música que eu não quero deixar nada de fora, e vou gostar disso”, afirma. “E ‘Amado’, a gente pode esperar também?”, pergunta o repórter, fazendo referência à composição de Jeneci que ficou conhecida na voz da igualmente talentosa Vanessa da Mata. “Pode, pode sim!”, prometeu.


Em quase um ano de shows por todo o Brasil, ele reconhece a recepção do público ao seu trabalho. “As pessoas cantam 70% das músicas do álbum, não só aquelas que estão nas rádios e essa sensação ao vivo é muito instigante”, avalia o cantor, que também se surpreende constantemente com fotos de fãs que tatuaram as letras de suas composições. “Recentemente eu recebi três”, conta.

‘Pra Sonhar’ também é campeã de aceitação. A composição que Jeneci criou para sua esposa tem embalado o casamento de casais apaixonados. “Recebo muitas cartas dizendo que as pessoas estão se casando com essa música, e é muito legal ver como a letra surte efeito e que as pessoas colhem ela pra si, sabe? Tá sendo muito positivo, principalmente para criar um segundo disco que carregue um capricho”, afirma.

Foto: site oficial/Divulgação
Mesmo sendo paulista, a ligação com o Nordeste sempre foi muito forte. Filho de pernambucanos, o então garoto de 17 anos ganhou o seu primeiro instrumento, uma sanfona de Dominguinhos, para começar na música integrando a banda do cantor Chico César. 

Anos depois, o garoto, já com os frutos de sua própria arte, teve a chance de comprar uma melhor. “Mas simbolicamente continuo com a que ele me deu, só que repaginada. Foi um presente que veio abençoado pelo Dominguinhos e tenho que respeitar. Me lembro, inclusive, que um tempo depois ele até se interessou em comprar a sanfona porque ela é realmente muito bacana, mas não vendi”, revela.

Questionado até que ponto a “nordestinidade” esta presente em suas composições, ele conta que funciona muito mais como um plano de fundo, de maneira inconsciente, quando compõe e se coloca no lamento da musicalidade nordestina. “Eu tô ligado diretamente com as raízes da música nordestina, e é natural que essa influência se apresente em algum momento”, conta.

Sobre o processo de criação do CD, ele comenta que não teve nenhum pensamento conceitual, e sim o objetivo de que precisava montar um repertório que passeasse por dois lugares fundamentais que abrangem a vida de todo mundo. “Um deles é a leveza, o lado superficial da vida, mais da festa e o outro é mais denso, explorando a incompletude do ser humano, o sofrimento”, classifica. 

“Tem muito do que eu carrego, das questões misteriosas de se perder, de não entender direito a vida e sofrer um pouco com isso também. Precisava desse espaço pra falar sobre minhas memórias, meu sofrimento, a minha vontade e as minhas questões. É um trabalho muito sincero, completa.

Para quem escuta o trabalho de Jeneci, é impossível ignorar também o toque especial de uma voz feminina que participa de praticamente todas as suas composições, Laura Lavieri. Sobre a parceria, ele conta que é antiga. “O trabalho é autoral, mas tem sempre muita ajuda de todo mundo. A Laura participa comigo desde o começo. No momento em que eu me descobri como compositor, ela estava se descobrindo como cantora e sempre quando eu fazia alguma faixa, mostrava para ela e a gente via como que ia ficar o resultado final”, lembra. 

“Felicidade” foi a primeira faixa a ganhar um clipe oficial. A ideia de fazer um vídeo ficcional com Selton Mello foi abandonada e substituída por um registro mais intimista da vida. “A ideia inicial era realmente algum trabalho com Selton Mello. O conheci na época em que ele me pediu uma música para a série A Mulher Invisível, então viajei na ideia, seria legal, mas não deu certo, tínhamos que atender a prazos e orçamentos”, comenta. 

Ao invés de Selton Mello, quem entrou em cena foram os familiares de Jeneci. Durante cinco dias ele e uma equipe de filmagem chegaram “silenciosos e sem pretensão” em Sairé, no interior de Pernambuco, onde o cantor passou boa parte de sua infância. Lá registraram diversas cenas dos costumes locais, que, editados, viraram o belo vídeo. “Tem uma linguagem mais documental. Não criamos um roteiro, filmamos o que aconteceu e depois editamos. O curioso é que os acontecimentos casaram bastante com a letra, principalmente com o refrão que fala sobre sol e chuva e realmente choveu, depois apareceu o arco-íris, então tudo casou perfeitamente”, afirma.

Em breve, a felicidade dos fãs será ainda maior. Ele pretende lançar uma edição especial de Feito para Acabar com um mini documentário das gravações em Sairé, além de uma música inédita.



PING PONG

Qual a influência do seu pai na sua música?


Na real, meu pai ajudou a trazer as grandes influências. Cresci ouvindo Roberto Carlos, Alceu Valença e ele também sempre colocava muitos filmes com trilhas sonoras incríveis. Ele é um entusiasta da boa música

Semana passada você abriu o quarto dia de Rock in Rio no palco Sunset, apresentando-se junto com Curumin. Como foi fazer parte desse festival?


Foi muito legal. Tava fazendo um solzão, astral bacana com o pessoal querendo se divertir. Acho que foi uma experiência generosa tanto para quem tocou quanto pra quem foi assistir. E eu ainda pude ver Stevie Wonder, que foi incrível, maravilhoso. O cara é o Orixá da música.

O que para você foi feito Para Acabar?   


Tudo que é muito fugaz, pouco verdadeiro, que acontece antes de existir, é feio para acabar.

O que não foi feito para acabar?

Tudo que é muito verdadeiro e que existe antes de acontecer, é feito para durar no tempo.

 @hickarruda: 
@hickarruda Keep calm and try apparate. Cinéfilo, pottermaníaco, adora Tim Burton, acredita em vida fora da terra e queria ter super poderes além dos que ja tem.

 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Contaminada pelo Samba

Adriana Calcanhotto faz show hoje em Natal e fala ao NOVO JORNAL

Por: Henrique Arruda

Foto: Reprodução/Site oficial
Natal hoje vai ter a oportunidade de se infectar por um micróbio “recém” descoberto. Mas não se assuste, não é nenhum mal capaz de lotar hospitais nem muito menos capaz de lhe deixar de cama, a não ser pelo cansaço de dançar. A partir das 21h no Teatro Riachuelo, Adriana Calcanhotto vai infectar a plateia presente com o seu “Micróbio do Samba”. Se tem remédio, tratamento ou reza para se curar? A responsável pela epidemia não sabe, mas garante que não pensa nisso. “Rezar eu não sei, e na verdade, não estou querendo muito me curar”, diz a cantora na entrevista que aconteceu por e-mail.

Sobre o processo de criação do mais novo show, ela conta que foi “bem diferente” de todos os anteriores. “Não estou podendo tocar violão momentaneamente e achei que seria muito triste não tocar os sambas do ‘Micróbio’ no palco, já que os compus e gravei no instrumento. Mas eu estava enganada, não fiquei triste. Estou adorando fazer esse show, com meu bandaço, interagir com eles, aprender muito, vê-los trabalhando com tanto prazer e alegria. Eles são meus professores”, afirma.

A coleção de sambas de Calcanhotto reúne composições da própria gaúcha e ainda duas regravações, “Beijo sem Fim” e “Vai Saber”. Mas a doença que lhe contagiou só agora já ensaiava os primeiros sintomas há muito tempo, quando ela regravou “Disseram que voltei americanizada” e “Orgulho de um Sambista” no seu primeiro álbum ‘Enguiço’, de 1990. “Nasci com o Micróbio, numa casa muito musical, que era a dos meus pais. Os primeiros sambas que gravei já eram sintoma dessa contaminação”, confirma.

Naquela época, a menina que com pouco mais de 20 anos só “Andava atrás de algo impressionante, que lhe matasse de susto, um impulso, um rompante, que era pra lhe desviar daquele mar de calmante” hoje se diz em busca apenas “De alta poesia”. Segundo a cantora, a teatralidade característica daquele tempo não se perdeu com os anos e se divide entre a Adriana Calcanhotto e a Partimpim. A última surgiu em 2004 quando lançou o álbum de mesmo nome com composições destinadas ao público infantil. “A teatralidade está nas duas, com variações de intenção dependendo do projeto. Cada vez fico mais interessada pelo teatro e seu poder”, diz.

Além de cantora e compositora Adriana é escritora e já tem três livros lançados (O Poeta Aprendiz-2003, Algumas Letras–2003 e Saga Lusa–2008) é ilustradora, é artista plástica, intérprete de poemas... E se em algum momento de sua carreira alguma dessas vertentes pensou em cantar mais alto do que a própria música, ela confessa se sentir, às vezes, dividida entre as artes plásticas e a música. “mas hoje me sinto mais capaz de conciliar as duas vertentes. Ultimamente, como não estou podendo tocar, ando desenhando bastante. Se chegar um momento em que as viagens fiquem muito pesadas, que eu não tenha mais energia para o palco, é possível que me torne uma ilustradora infantil”, propõe.

“O trabalho plástico me relaxa dos sons, desenho ouvindo música às vezes, e é diferente da maneira de ouvir música quando estou fazendo música. É uma experiência amadora, leiga, lúdica”, completa.

Ao contrário de boa parte dos outros compositores nacionais, ela revela não ter nenhum ritual para compor e que essas atitudes “são altamente aprisionantes”, justifica. “Não me deixo criar ‘situações ideais’ para compor. A vida é bem mais complexa do que isso. Se não tenho a situação ideal ou não consigo executar o ritual não componho? Deixo passar uma canção? Isso não é para mim, definitivamente”, afirma.

Em mais de duas décadas de carreira, não se arrepende de ter gravado nenhuma canção. “Talvez gravasse mais assim ou mais assado, mas não me arrependo das coisas feitas. E nunca me deixo arrepender por coisas não feitas; na dúvida, faço”. Já sobre uma composição que lhe toca tanto a ponto de despertar em Calcanhotto a vontade de ter sido a compositora dessa canção, ela destaca aos risos uma de Chico Buarque. “A maioria das canções de outros autores que interpreto contém um pouco esse desejo, de tê-las escrito. Mas "Bye Bye, Brasil", se pudesse ter escrito antes do Chico...”, confessa.

Sobre uma característica marcante da carreira, a inserção de suas músicas em trilhas sonoras de novelas da Globo, ela afirma não se incomodar com a mania que a acompanha desde 1990 quando em “Rainha da Sucata”, de Silvio de Abreu,  “Naquela Estação” entrou para o conjunto de músicas da novela.

“Ao contrário, acho que ajuda a atingir um público maior. Gosto muito das novelas, um fenômeno brasileiro, uma obra interativa, feita pelos profissionais e pelo público, acho lindo. Fico muito feliz quando uma canção minha vai para uma novela. Quando acabo de compor ou gravar uma canção tenho uma sensação boa de saber que ela não é mais minha, é das pessoas, é do mundo. Uma vai para a novela, outra pode ser gravada por um ídolo meu, é incrível”, considera.

Em 2007, ela participou da cerimônia de abertura dos Jogos Pan-americanos cantando Acalanto de Dorival Caymmi. Se aceitaria participar de uma experiência semelhante nas próximas oportunidades, Copa em 2014 e nas Olimpíadas de 2016, ela diz não descartar um possível convite. “Aquela experiência foi linda, mágica. Eu recomendaria um passeio de cadeira gigante num Maracanã lotado, se isso fosse possível, a todo mundo. Adorei ter sido convidada, pude ver como trabalha (e muito!) a Rosa Magalhães, estive com colegas como Arnaldo Antunes e Elza Soares entre outros, rimos muito nos ensaios, foi bem bacana”, recorda. “Aceitaria dependendo do que fosse. No caso da abertura do Pan, o convite foi para cantar "Acalanto" do Dorival Caymmi, como dizer não?”, explica.

Foto: Reprodução/ Site oficial
Sobre a atual cena “popular” da música nacional, no qual calças coloridas fazem sucesso arrebatador e “mulheres frutas” se lançam diariamente como cantoras, ela é enfática. “Original e efervescente como sempre. Agora cheia de instrumentistas mulheres, o que acho maravilhoso. Nos discos das novas cantoras e dos compositores/as ou das novas bandas sempre tem coisas muito legais, acho que vamos muito bem. Sou a favor da diversidade musical e não julgo os trabalhos dos meus colegas, muito menos a partir da cor de suas calças”, conclui.

PING-PONG  

Novo Jornal: A Adriana que vai se apresentar hoje em Natal, cantando o seu samba, esta mais para uma Adriana apenas com samba no pé ou para uma Adriana passista de Escola de Samba?        
Adriana Calcanhotto: Está mais para uma compositora contaminada por um micróbio.

Em algum momento o rótulo de cantora de MPB pesou na hora de compor? Como você lida com isso?        
Não gosto de rótulos, não ligo, portanto eles não me pesam em nada. 

O que Adriana Calcanhotto escuta quando vai procurar música de qualidade para um momento especial?
Depende do momento, pode ser repertório experimental, erudito ou música de preto. 

Poesias, a alegria da infância, o samba. Quais outras combinações podemos esperar na voz de Adriana Calcanhotto em um futuro breve? 
Em um futuro breve, silêncio, que ando sonhando com umas merecidas férias. Mas ando também compondo sem o violão, o que é uma novidade, estou curtindo. Vamos ver o que acontece.

-- Matéria Publicada No NOVO JORNAL, sexta, 2 de setembro de 2011. 
  
@hickarruda: 
@hickarruda Keep calm and try apparate. Cinéfilo, pottermaníaco, adora Tim Burton, acredita em vida fora da terra e queria ter super poderes além dos que ja tem.

 

sábado, 9 de julho de 2011

O UNIVERSO DO NEXO ZERO

...Sobre o show da banda paulistana em Natal, na última quinta-feira.


Fotos: Argemiro Lima
 Lotar não lotou, mas que o Teatro Riachuelo tremeu na noite desta quinta-feira, 7, com o show da banda NX Zero, tremeu. Era 20h15 quando a última batatinha frita de um Fast Food qualquer descia na minha garganta enquanto caminhava para o terceiro piso do shopping Midway Mall para cobrir a pauta da vez: o show do NX Zero.


“Começa! Começa ! Começa!”. O público não queria nem saber se estava longe ou perto da hora marcada para o início da apresentação (21h00), mas os gritos constantemente cessavam e logo voltavam pedindo o início do concerto. “Moço deixa eu entrar aí, por favor, nem sou muito fã. Só quero achar minhas amigas que chegaram aqui de meio dia, vai. Por favor!”, implorava Vanessa Lilian de 15 anos ao segurança que em nome da ordem não cedeu espaço para a menina entrar na área restrita na frente do palco. “Hoje tá até tranquilo, nem lotou e elas estão educadas”, afirmou o segurança mexendo apenas a boca para manter a pose de estátua do outro lado da grade que separa o palco da pista.

Fotos: Argemiro Lima
Meio perdidas, estavam as melhores amigas Vitória Maria de 15 anos e Érica Thaís de 14. O estranhamento não era a toa, elas esperavam o início do primeiro show da vida delas. “É o nosso primeiro show, acompanhamos o NX Zero desde o início, mas não somos tão fanáticas quanto elas (apontando para o formigueiro humano próximo ao palco que não parava de gritar e se abanar com as máquinas fotográficas) e na verdade quem nos trouxe foi minha mãe”, revelou Vitória Maria. Logo em seguida surge Mônica Doss que havia se separado das meninas para pegar água. “Sim, sim, fui eu que agitei tudo. Elas são muito paradas, então vi esse show e arrastei as meninas para cá. Já ouvi todas as músicas e espero ver o Felipe, o guitarrista”. “Ele é muito lindo”, interrompeu a filha.

Entre muitas, repito, muitas blusas estampadas com as mais diversas combinações de “Xadrez” possíveis, avistei na multidão um fã superando limites para estar próximo da banda que acompanha desde o início da formação há 10 anos. “Minha música favorita é Razões e Emoções”, revelou Enauro Neto na cadeira de rodas. Já para o grupo formado pelas amigas Rayane de Sousa; Rogéria de Sousa e Tatiana Valério o momento especial seria quando a banda cantasse “Só Rezo”. “Amamos essa”.

Nove e dez da noite e quando tento fazer contato com mais alguém do universo “Nexo Zero” (significado do nome da banda), sou interrompido pela gritaria. Nem precisei olhar para o palco. “aaaaaaaaaah!”. Luzes apagadas; braços levantados com inúmeras máquinas fotográficas empunhadas e a histeria tomando conta do ambiente. O show havia começado.


Fotos: Argemiro Lima
“Dani” (Daniel Weksler) baterista da banda foi o primeiro a entrar no palco acompanhado por “Caco” (Conrado Lancerotti) no baixo e por “Fi” (Filipe Duarte) na guitarra. Após os primeiros batuques é a vez de “Gee” (Leandro Franco) entrar com sua “nova guitarra” pedindo aplauso e preparando o território para que os gritos se intensificassem muito mais – não sei como isso foi possível, mas aconteceu quando Di Ferrero, o vocalista da banda, entrou no palco.

Um cadeado gigantesco no meio do painel e um telão em formato de fechadura em cada lateral. Esse era o cenário da banda que começava então a revelar todos os seus segredos à “Sete Chaves”, título do álbum mais  recente, lançado em 20 de outubro de 2009. “Só Rezo”, segundo single do álbum, abriu o repertório da noite. “Além de Mim” foi a segunda.  Essa música praticamente lançou o grupo nas rádios do país inteiro, quando na época, Di Ferrero, ainda ostentava uma grande franja. Hoje a cabeleira deu lugar a um topete.

“Lute Para não perder sua essência”. “Todo mundo tem uma melhor parte dentro de si e tá na hora de botar ela para fora agora, vai Natal!”. “Nunca deixe de acreditar em você, nunca deixe ninguém dizer que você não é capaz”. As mensagens foram apenas algumas do vocalista aos fãs. Na vez da melancólica “Cedo ou Tarde”, é hora de lembrar quem já se foi. “Essa letra foi escrita pelo pai do Gee que hoje esta em um lugar melhor, ofereço essa canção para todo mundo que perdeu alguém. Faz barulho aê!”. E o povo obedeceu.

O show termina com o sucesso de refrão grudento cantarolado por todo o teatro em uma intensidade bem maior do que todas as músicas até então. “Entre razões e emoções, a saída, é fazer valer a pena. Se não agora, depois, não importa. Por você, posso esperar”. “Valeu Natal, vocês foram Fod*!”, soltou Di Ferrero no final da apresentação que nem teve o Bis tradicional nem muito menos a pegadinha de voltar ao palco com mais uma canção após a despedida. Só mesmo Daniel se livrando das baquetas – o que causou um certo desespero entre os fãs pela disputa da lembrança física  do show - e uma foto tirada pela banda com o público. “Natal, vamos deixar registrado esse momento aqui, vamos. Todo mundo agora levantando a mão e fazendo barulho pra sair na foto”, recomendou o líder da banda.

De olho atento na pista estava dona Aparecida de Souza de 69 anos, a mais nova fã do grupo. “Amei o show, foi lindo, vim com minhas três netas. Estamos passando as férias aqui e elas são loucas por essa banda, então vim acompanhar”, sobre a música que mais gostou ela pediu para não ser colocada em “enrascada”, mas de repente lembra a letra. “... Pois levo você no pensamento... Meu medo se vai... Recupero a Fé... aquela é linda, mas não sei o nome”, afirmou a senhora de São Luiz do Maranhão sobre “Cedo ou Tarde” uma das mais esperadas pelos fãs, menos pela sua neta mais viciada na banda, Ana Luíza que extasiada quase desmaiou na cadeira após o quarto show que viu da banda. “Esse é meu quarto show, saí do Maranhão para a gravação do DVD em São Paulo, estou aqui e já vi outros dois shows esse ano. A minha música preferida é Daqui Pra Frente”, falou recuperando o fôlego.

Hora de falar com a banda. Receptivos eles me respondem não ligar para o rótulo de Emo que receberam desde o início da carreira. “O que mais queremos é fazer som. Pode chamar de Pop, de Rock ou de Emo, isso é uma coisa que inventaram mais para ver como iríamos reagir a isso do que qualquer outra coisa”, afirmou o baterista Daniel. “Isso é comum para a mídia querer vender mais capas de revista e mais artigos relacionados à banda. A rotulação acontece com todo mundo, e somos desligados quanto à isso”, completou o guitarrista Filipe.

“Qual a música, CD ou momento que mais define o sonho que vocês tinham lá no início, há 10 anos, de ser uma grande banda de Rock e tocar por todo o Brasil?”. Mais uma vez é Daniel quem sai na frente. “O DVD”, fazendo referência ao projeto “NX Zero 10 anos ao vivo” gravado em 14 de maio no Via Funchal e que será lançado em Agosto. “Sempre sonhamos com esse momento de registrar o nosso som ao vivo. E conseguimos reunir 23 músicas desde as nossas primeiras composições até as mais recentes resumindo várias fases da banda em um único projeto. Foi muito lindo lotar aquela casa de show”, analisou.

Enquanto ainda restavam fãs em uma cadeira ou outra do teatro, era hora de ir embora e escrever esta matéria que só agora você esta lendo. Mesmo depois de uma hora da despedida final no palco, passava da meia noite e ainda restavam meninas gritando e chorando com maquiagem borrada na porta de acesso à área do camarim, querendo “apenas uma foto” com a banda que pela terceira vez vem à cidade. “Mas essa foi a melhor, a galera estava incrível”, fez questão de destacar Di Ferrero.

- Matéria Publicada no NOVO JORNAL no caderno de cultura, sábado 09/07/2011

 @hickarruda: 
@hickarruda Keep calm and try apparate. Cinéfilo, pottermaníaco, adora Tim Burton, acredita em vida fora da terra e queria ter super poderes além dos que ja tem.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Me Abre Ela Diss

Novo projeto de Felipe Ricotta, o Kiabbo do 15 Minutos

Artista, empresário, produtor, gravadora e assessor de si mesmo, este é Felipe Ricotta, o Kiabbo, do finado 15 Minutos, programa da MTV. O músico e escritor, esteve visitando uma série de cidades do nordeste para divulgar o seu mais novo projeto “Me Abre Ela Diss”. Sob o pseudônimo de James Ricotsky, compôs diversas músicas, todas instrumentais, feita em um sintetizador Roland V Synth GT 2.0 e disponibilizou todos os seis álbuns, do projeto, para download na internet, ou ao preço de uma moeda, comprando o flyer que, de acordo com o próprio artista, é o disco físico.

Segundo Felipe o nome do projeto surgiu de um sonho. “Eu estava sonhando com coisas que nem lembro bem, só sei que acordei, peguei um spray e escrevi na geladeira ‘Me Abre e Ela Diss’. Mas também pode ser interpretado como o tempo na geladeira que a MTV me deixou.”, conta o artista. O lançamento aconteceu nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e em Itajubá, os shows tinham participação de DJ’s conhecidos, bandas, humoristas, atores, promoters, convidados e tudo foi registrado em um documentário.

A idéia de vender a preço de moeda seu trabalho tem sido o sustendo de Felipe. “Se for para pensar, eu talvez ganhe até mais vendendo meu trabalho assim, diretamente, do que por intermédio de uma gravadora. A porcentagem que o artista ganha da venda do seu disco é mínima, as gravadoras que ficam com a maior parte.”, conta.

Passar nas cidades e conhecer o seus movimentos culturais é o principal objetivo dessa turnê de divulgação. “Eu viajo sem instrumento, a idéia é conhecer as cidades, para quem sabe numa segunda visita eu possa me apresente.”, disse o músico. Ele que em passagem a Natal, discotecou em um bar da cidade.

Carreira

Felipe esta preparando seu quinto trabalho. Além do projeto “Me Abre Ela Diss”, também tem uma banda chamada Máquina Berradora, onde as músicas são improvissadas na hora do show.

A Música Internet

A internet tem proporcionado aos artistas, principalmente os novos, oportunidades de lançar seu trabalho no mercado para que todos possam conhecê-los a nível internacional por um custo baixíssimo ou quase nenhum. A criatividade e inovação dos artistas, é o que dita o valor de seu produto. As gravadoras, o produtor, o assessor de imprensa, não são mais obrigatórios. Uma conta em blog ou sites de relacionamento voltado para a música, como Myspace ou LastFm servem de plataforma divulgadora para as ações dos artistas.

A banda britânica Radiohead em 2008 lançou o álbum “In Raibowns” pela internet, a pessoa pagava o preço que achava que deveria pagar por aquele produto e recebia uma senha para baixar o disco no formato de arquivo de música digital (mp3) ou também tinha a possibilidade de comprar o disco físico, com encarte, cd e caixa. A idéia pioneira inspirou outros artistas como o próprio Felipe Ricotta.

Fama e Polêmica

Com o personagem mascarado de Kiabbo, no programa 15 Minutos da MTV ao lado do humorista Marcelo Adnet, ganhou popularidade. As matérias engraçadas e bem humoradas feitas para o seu blog, sem nenhum compromisso, ganharam, fama e assim ele foi contratado pela MTV Brasil. Uma das exigências de Felipe era de não mostrar seu rosto, temendo que isso pudesse comprometer a sua carreira artística, a emissora insistiu que ele tirasse a máscara, porém o artista negou-se e como o mesmo disse “fiquei na geladeira”.

O humor para o artista era só uma forma de brincar, ele não pretendia levar a diante. “O humor é muito raso, você ri naquele instante e acaba. Penso que trabalhar com música e escrita é mais interessante e mais profundo e durador”, conta.

Felipe trajando uma camiseta pelo aveso, com seus grandes óculos escuros, seguiu viagem rumo a João Pessoa, Recife e outras capitais do nordeste, vendendo seu trabalho em troca de moedas e comprando o pão de cada dia: artista igual a mendigo.

P.S.: link para download do álbum aqui.

Leila de Melo:
Leila de MeloAquela garota que canta no chuveiro, agrada cachorros de rua, dorme em horário de aula e solfeja música clássica na hora do jantar | Estudante de jornalismo| cinéfila| um ser humano que não vive sem música.

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